oh, whatever

Posted in desagradável with tags , on maio 31, 2015 by insignificantezinha

“é assim mesmo”

ô frase cretina.

foi assediada, agredida, maltratada, intimidada, coagida?

você abre seu coração com alguém, revela sua angústia frente à humilhação e da pessoa que escolheu para se abrir ouve “é assim mesmo”.

o mundo é assim mesmo, as pessoas são assim mesmo, as coisas são assim mesmo…

então de repente, não mais que repente, quem está te ouvindo passa a ser parte do problema, pois ao dizer “é assim mesmo” está colaborando com o agressor.

“ai, mas você é muito radical”

“é, sou assim mesmo”

Anúncios

as coisas mudam

Posted in cinema with tags , on maio 28, 2015 by insignificantezinha

quando eu tinha 15 anos, ouvia de quem tinha 30 que quando tivesse 30 ia pensar diferente de como pensava aos 15, ia “evoluir”. mas pouca coisa mudou dos 15, 18, 20, 22, 23, 24, 26 anos para cá. continuo pouco tolerante a agressões e abusos; também continuo pró-descriminalização do aborto e a favor de uma vida onde felicidade venha antes da obrigação de casar e ter filhos.

call me pouco evoluída então.

mas algumas coisinhas, assim, mudaram.

por exemplo, quando mudei da minha cidade natal para a cidade onde fiz faculdade, fui apresentada a um mundo de possibilidades para uma adoradora de filmes. a universidade onde estudei dispunha de um cinema que exibia títulos alternativos, gratuitamente. eu matava aula para me educar lá. eu fazia questão de escolher filmes que fossem um soco no estômago, que me deixassem revoltada, enojada com o mundo, que me trouxessem a verdade escancarada na cara.

hoje não tenho mais esse pique.

fazia muito tempo que não me encantava por um filme e há poucos dias me vi assistindo a “como treinar seu dragão”, tanto o original quanto a continuação. o dragãozinho, toothless, é a cara do meu gato django. eu quis morrer. chorei. afaguei meu gato. fiz chá, me cobri com uma mantinha, perto do django. chorei mais. aí me dei conta que meu tempo de ver ‘irreversível’, ‘dogville’ e ‘funny games’, acabou.

Olha o Django ali atrás, coisa mais linda

Olha o Django ali atrás, coisa mais linda

eu fico chocada e aos prantos com cenas como a do incinerador em ‘toy story 3’, onde os brinquedos aceitam resignados que não vão conseguir fugir de serem queimados vivos (sim, porque no filme estão vivos). resignação de personagem infantil me mata do coração.

Toy Story 3

o pessoal de toy story 3 sendo mais maduro do que jamais serei

isso é o máximo que suporto atualmente. tenho a leve impressão de que é por ter também, desde os 15 anos, conhecido tanta gente que, aqui no mundo real, cria uma atmosfera de rejeição, solidão, deboche e falsidade tão forte que não preciso ir atrás de lars von trier, michael haneke e gaspar noè para me sentir mal. ah, é, isso também não mudou: não há auto-ajuda que me impeça de ficar triste, cansada e desapontada com as pessoas.

e haja chá, gatos e filme leve sob a mantinha para sobreviver.

work in progress

Posted in na vida real with tags , , , on maio 20, 2015 by insignificantezinha

passei um bom tempo tentando lembrar a senha deste blog. agora que encontrei, não sei o que escrever. no tempo em que estive ausente, mudei de emprego, adotei outro gato, fiz outra tatuagem, chorei rios, gritei de raiva, comecei a fazer terapia, reformei meu apartamento, fui vítima de um erro odontológico que quase me custou a mandíbula e me deixou traumatizada…senti muita dor e muita frustração, dei cabeçadas, me horrorizei com a cara de pau alheia, tentei manter o amor em foco, mas sem babaquice, me policiei para dar menos cabeçadas, deixei o cabelo crescer, cortei o cabelo, perdi peso, parei de escrever textão no face, ganhei peso, aprendi a comer com aqueles pauzinhos japoneses, me afastei de quem não me fazia bem, tentei aceitar que quem me faz bem não me faz bem sempre…e mais umas coisas aí

e lá vamos nós!

Posted in na vida real on janeiro 28, 2013 by insignificantezinha

Image

oi gente!

*cri cri cri

pois é. meu último post foi em 2011, há mais de um ano. eu perdi o interesse em escrever aqui. em várias ocasiões tive ideias para textos e pensei em postar aqui, mas sabem como é, eu estava tomando banho e sair correndo do chuveiro pela casa sempre termina em morte.

eu também andei deprimida (everybody goes “oh!”). não deprimida, deprimida, tipo ‘vou tomar remédio’. apenas chatiadézima. ok, eu fui a um psiquiatra procurar ajuda, ele até me receitou um ‘estabilizador de humor’ que também é anti-convulsivo, chamado lamictal. porém, lendo as 457 páginas da bula, percebi que o remédio corta efeito do anti-concepcional e quem me conhece sabe que prefiro ficar locona de camisola num hospício que ficar grávida.

enfim.

daí eu continuo tendo crises de péssimo humor, mau humor, lazarento humor, humor mais ou menos. e quando passa, eu acho que foi pura frescura e imagino que nunca vai acontecer de novo. mas acontece.

eu também engordei um pouco: 5 kg. agora eu pareço saudável tipo frança, não morta de fome tipo somália.

e finalmente eu terminei o mestrado. eu terminei o mestrado odiando o mestrado, a unesp, a burocracia, a abnt, o tema do meu trabalho, etc. etc. estou aguardando essa fase do ódio passar para ver se surge algum orgulho.

passado o mestrado, eu voltei a ler literatura. eu disse que voltaria a ler literatura, just for fun, quando terminasse com minhas obrigações pós-graduandas. pois bem, li dois livros nos últimos 15 dias, o que acho ser uma boa média, afinal eu não estou tentando impressionar ninguém com contagem de livros lidos, porra.

Image

‘os gatos’, da patricia highsmith, é um livro bem curtinho, desses que você lê numa viagem de ônibus piracicaba-ourinhos. claro que vocês não vão pegar esse ônibus, então deixe-me ver…você o lê em 4 horas.

eu não sou crítica literária nem porra alguma do tipo, então apenas vou dizer que ela escreve de maneira objetiva e sem firulas, do jeito que eu gosto. eu gosto de graciliano ramos e hemingway porque eles vão direto ao ponto sem dificultar as coisas demais para o leitor: os pés de fabiano eram duros e quebravam espinhos; o menino chorou quando viu as mãos machucadas do velho. pronto, você entendeu.

a patricia também escreve assim, o que provoca algum sustos, porque você está lá lendo uma frase e de repente ela revela algo doído demais sobre um dos personagens. assim, de pronto. e você soluça.

o livro é de contos e tem gatos como personagens importantes, mas se você não gosta de gatos pode ler também, não é assim uma ode aos gatos, eles apenas estão lá, sendo foda.

ontem eu terminei ‘dias e noites de amor e de guerra’, do eduardo galeano. eu fiquei um pouco entediada no final, mas no geral, achei muito interessante pelas pequenas agulhadas que ele dá na gente, contando história de pessoas destruídas por essa coisa linda que foi a américa latina das ditaduras militares. e daí você lembra que, ora ora, algumas coisas nunca mudam.

Image

ih, gente, mas esse post não era pra falar de livros. não era pra falar de coisa alguma. e ficou assim.

império dos sonhos e como eu não entendi coisa alguma de nada

Posted in adoro, cinema independente with tags , , , , , on outubro 13, 2011 by insignificantezinha

continuando a série de análise de filmes, hoje pularemos para o outro lado da coisa toda, de filme com denzel washington para filme do david lynch.

david lynch para quem não sabe é um homem multiuso: diretor, roteirista, músico e artista plástico. não sou fã de carteirinha, mas já vi coisas bem marcantes dele como “veludo azul”, “o homem elefante” e “a história real”. os dois últimos são meus favoritos e coincidentemente são os mais comerciais, os mais lineares dele.

é, minha gente, porque quando seu david decide pirar na batatinha, ele pira pra valer. o filme que vi por último foi esse “império dos sonhos”, não entendi coisa alguma e resolvi explicar.

o filme começa com uma atriz bem conhecida, a laura dern, ensaiando e gravando seu próximo filme, fazendo par romântico com o justin theroux, atualmente mais conhecido como o namorado da jenifer aniston (ele é bom ator até, tipo canastrão carismático, da turma do george clooney). enfim, o jeremy irons é o diretor do filme dentro do filme. daí a laura começa a ter uma quedinha pelo justin e acabou.

david lynch (centro), jeremy irons e harry dean stanton mais perdidos que cego em tiroteio depois de tomar ácido

acabou nada, mas até aí foi o que eu entendi mais ou menos. depois vira uma colagem viajadona de pesadelos que a laura dern tem ou vive. ou não. entram outros personagens, um povo polonês de outro século. ah sim, porque o problema do filme dentro do filme que aparece no começo é que ele é um refilmagem de um outro filme que nunca terminaram porque uma maldição folclórica polonesa matou os protagonistas.

é cilada, laura!

e dá-lhe closes da laura descabelada (ela faz uma careta horrível mostrando só os dentes de baixo e andando meio curvada). não é um filme de terror, mas tem essas cenas de susto que são dignas dos melhores. quase infartei 3 vezes.

oi

ah, e tem os coelhos. de vez em quando uma família de pessoas vestindo roupa de coelho aparece no meio do filme. eles têm uma vida mais ou menos e parecem estar sempre prestes a fazer algo macabro, mas só estão entediados.

toda família tem problemas

ali pela metade do filme eu fiquei um pouco aborrecida, pensando em como o david lynch deve ser como avô em um almoço de domingo. você vê o filme e não imagina ele fazendo nada simples e banal.

não vale a pena tentar explicar o filme cronologicamente e nem se sentir estúpida por não entender coisa alguma da sequência de situações. dei uma olhada na ficha do imdb.com e a laura dern e o namorado da jenifer aniston declaram em entrevistas promocionais que não sabem sobre o que é o filme. ele foi filmado como uma série de esquetes mesmo: o lynch escrevia uma sequência e filmava.

de qualquer forma, mesmo me sentindo perdida e boboca, eu gostei da experiência, justamente por não mastigar nada para o espectador digerir.

eu não sei como, mas o denzel sempre resolve

Posted in adoro, cinema, implicância with tags , , , , , , , , on outubro 1, 2011 by insignificantezinha

eu vou fazer aqui uma coisa que vi muito bem feita no blog da @harpias, o http://calmatatudobemagora.wordpress.com/ que é análise de filmes. se você não quer saber o fim desse, saia daqui, oras.

ontem eu estava meio irritada, algo que quase nunca acontece, e resolvi alugar um filme e comer doritos até dormir. aluguei Incontrolável, mesmo sabendo que ia dar merda. e veja bem: nem deu merda. o que já é um milagre. eu curti o filme, fiquei empolgadinha e tal.mas isso não quer dizer que o filme não é cretino: é absurdamente cretino. ele se aproveita daquele conflito que hollywood adora, a batalha homem vs. máquina (zzzz).

em resumo é a história de um trem de carga carregado de produto genérico muito tóxico e inflamável que é deixado sem freios e acelerado nos trilhos de uma das mais populosas, repito, MAIS POPULOSAS,  regiões do nordeste dos EUA.

o filme começa com a apresentação dos personagens: chris pine, lindo, cara de bebê, mostra o abdomen sarado aos 5 segundos do primeiro tempo para garantir a atenção da plateia feminina. ficamos sabendo que apesar de lindoooooo, ele está triste porque a mulher e o filho estão brigados com ele por motivos a serem explicados. :(

primeira cena desnecessária do filme: a gente já sabe que ele é lindo

ele trabalha na ferrovia e lá na sede dos ferroviários ele encontra a velha guarda da portela ferrovia, formada por dois coadjuvantes mal encarados e o denzel washington. denzel olha com aquela cara de denzel pro novato e sabemos: é denzel no papel de denzel. se mais, deu pra entender, né?

denzel washington e coadjuvante: "vamo comê seu cu, moleque"

estabelece-se o conflito secundário: velho vs novo. denzel e o lindinho vão conduzir uma locomotiva até não sei onde na região e trazer uns vagões vazios pro lugar de onde saíram. mais um dia na vida desses homens calejados. ah, denzel esqueceu o aniversário da filha, então ele e o fofinho do chris pine têm algo em comum: são homens que falham com a famíliOPA DORMI.

enquanto isso o tal trem malvado, vermelho-comunista, está sofrendo bullying de seus condutores. são 40 vagões, está muito pesado, tána hora do almoço, daí o cara responsável por manobrá-lo decide

1) não conectar os cabos que garantem o funcionamento do freio pneumático

2) acelerar na velocidade 8 do créu ao invés de deixar a inércia rolar gostosa.

obviamente alguém também esquece de mover o desvio dos trilhos e o trem ao invés de ir para o “estacionamento” vai para a marginal tietê da ferrovia da pensylvannia.

aqui entramos numa questão fundamental: o condutor do piuí é um cara chamado dewey, cujo peso deve  variar entre 115 kg e 124 kg . ou seja, toda a merda acontece porque o gordo fez gordice.

cê acha que ele ia conseguir subir no trem de novo?!

é tanta cagada na mão do balofo que desconfio que esse filme foi produzido com recursos da liga nacional das pessoas anoréxicas dos estados unidos e faz parte da campanha de hollywood para que todos tenhamos imc abaixo de 20. olha só: ele decide acionar o freio independente, descer do trem, correr até o desvio, acioná-lo e voltar pra cabine. isso: o personagem gordo decide que correr na frente de uma locomotiva embalada e 40 vagões é uma boa ideia. enfim, além de não saber correr, ele também não sabe acionar alavancas, deixando a do freio frouxa. quando ele sai da cabine a locomotiva está a, sei lá, 5 km/h, mas então alavanquinha sai do modo freio e vai para o modo acelerar até o inferno. o trem passa dewey, que cai de boca no chão, e começa a putaria.

como primeiro prato do banquete, o filme nos oferece “possível choque do trem desgovernado com o trem cheio de crianças felizes”. é gente, nos eua eles enfiam as crianças em trens de verdade para passear, não em caminhões adaptados pra fazer fu-fuuuuu pela cidade. como estão em trilhos diferentes, as crianças apenas veem o trem da putaria sem condutor voando baixo, sem serem despedaçadas pelo mesmo.

depois, é claro, o que estava ruim começa a piorar. denzel e o lindinho estão lá brigando e transportando vagões vazios quando percebem que a merda ‘tá fedendo. a locomotiva crackeira está indo em direção a eles. temos aí algumas cenas de tensão e plim, eles conseguem entrar num desvio e sair da rota da bandida.

como já falou mal de gordos, agora o filme vai falar mal de gordos no poder. obviamente o dono dos trens e patrão de todo mundo quer que se foda tudo e está preocupado com as ações e o prejuízo, etc.  enfim, ele manda um pobre coitado numa locomotiva tentar frear a bandidona e dar oportunidade para um ex-soldado do afeganistão (que entrou pela cota para contextualização política) entrar na doidivanas pendurado por um cabo num helicóptero (!!!!!!11111) . o cara se coloca a frente dela e freia, freia, freia, o mano do afeganistão tenta, tenta, cai e quase morre; o trem de resgate depois descarrila, explode e o condutor morre.

o condutor morto era melhor amigo, irmão, camarada de denzel. daí denzel descobre que o cara morreu e fica muito puto. e sabem o que acontece quando denzel fica puto? o filme entra na metade final, quando ele resolve tudo.

bom, amigos, denzel também foi demitido e está cumprindo aviso prévio, é viúvo e tem duas filhas batalhadoras então acresça um amigão morto aí e temos: denzel decidindo QUE VAI DAR RÉ NA PRÓPRIA LOCOMOTIVA, ENGATAR NA BANDIDA E FREÁ-LA. é claro que neste momento a lazarenta está a 120 km/h e cidades estão sendo evacuadas (lembram do tóxico nos vagões?) então denzel realmente tem culhões. denzel e chris pine bonitinho dão ré e começam a correr de ré. corre, corre, corre eles chegam até a bandida e engatam gostoso, mesmo contra a vontade da nossa demônia. o lance de frear não dá muito certo, mas um expert com cara de forever alone que apareceu no começo do filme lá na central de operações manda denzel acelerar e frear, acelerar e frear e daí só meu namorado entendeu o princípio da física que faz isso funcionar porque EU ESTAVA BEBENDO, né?

bom, fomos avisados no começo da brincadeira que havia uma curva elevada no meio da maior cidade da região. é tipo uma montanha russa, mas para trens cargueiros. o trem sobe a curva fechada e fica suspenso passando sobre a cidade. mas ele só consegue fazer isso a 15 km/h, não a 120km/h. prontinho, estabeleceu-se o clímax.

é denzel, ninguém disse que ia ser fácil

denzel então sai da cabine e mostra que aos 60 anos, ainda não criou juízo: ele decide subir e andar sobre os últimos vagões da locomotiva desgovernada e frear um por um. chris pine fica na cabine choroso porque esmagou o pé em cena anterior. grita aqui, grita ali, o trem passa, tipo aquela cena de velocidade máxima: as rodas de um lado do trem saem dos trilhos, mas não dá nada, é cinema.

como o texto está muito longo, vamos encerrar o filme: o trem aloka do 777 passa da curva, continua acelerando e quando tudo está perdido, surge um mano dirigindo uma picape que é a cara do rogério skylab, só que texano: é ned, que apareceu no começo e voltou agora para amarrar tudo. ele oferece uma carona ao lindo do chris. rota? da locomotiva que anda de marcha ré até a locomotiva anfetaminada. é gente, pular de um trem em movimento numa picape, segurar firme, ir até a outra ponta, subir no trem e desligá-lo.

se você tirar essas falas do contexto, não lembram aquelas coisas que se falam em baladas muito loucas noite adentro?

adivinhem? no final, quem salva o dia não é denzel. é chris pine e o rogério skylab.

lições aprendidas aqui:

– gordos não devem cuidar de locomotivas

– locomotivas não devem ser deixadas sozinhas

– denzel washington é o morgan freeman dos filmes de ação: não importa se ele está chamando uma locomotiva de “baby”, a dignidade está sempre lá.

tpm é uma coisa engraçada….

Posted in adoro, desagradável, implicância, na vida real with tags , , , , , , , , , on setembro 21, 2011 by insignificantezinha

…não, não é.

a menos que você seja daqueles que riem de pessoas que caem na rua. sim, tem gente que acha graça quando vê uma pessoa qualquer tropeçando e caindo em público e, ao invés de ajudar a dita cuja a levantar, ri e passa reto de fininho (riso e quedas só combinam se você for o caído ou se o caído estiver bêbado e for seu amigo).

"quebei meu dentchinho" :~~

então.

tpm é essa coisa desvalorizada e banalizada. é a TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL, amiguinhos. ou seja, é aquela semana ou par de dias que antecedem a menstruação. aos moços: como todo mundo sabe, é a prova cabal de que sua namorada não está grávida. ufa. amém.

mas para você e sua namorada ficarem felizes e assistirem a um filminho agarradinhos com a tranquilidade de que não vão entrar no cheque especial e fazer lista para chá de fraldas em breve, a fêmea da relação tem que passar por um calvário, como aquele pelo qual jesus passou: tem dor, tem sangue, tem depressão, não é legal.  e vale lembrar que com jesus aconteceu uma vez e conosco acontece mensalmente durante mais ou menos 35 anos (início hipotético aos 12 anos e término hipotético aos 47).

vibe ruim

em nossa sociedade ocidental pós-moderna, algumas mulheres, muitas aliás, usam a pílula anticoncepcional como método contraceptivo, que é basicamente uma “pegadinha” aplicada ao organismo feminino: um hormônio fake engana o sistema reprodutor da mulher e evita que esse produza óvulos, aquelas coisinhas que os espermatozóides mais espertos encontram durante a hard party do casal. sem óvulos fecundados = sem dívidas no cartão de crédito e noites mal-dormidas. e mais hard party para todo mundo.

muitos médicos orientam as tomadoras de pílula como eu a emendarem cartela, ou seja, terminou uma cartela de pílula com 28 drágeas, começa outra de imediato. mas eu gosto de saber que não estou grávida. então todo final de cartela eu espero sete dias (alô? samara?) para passar pela experiência de menstruar e provar para mim mesma e para a sociedade (tapa na cara) que eu tenho a força e não engravido porque sou dona do meu nariz (e outras partes da anatomia).

“vem cá me dá um chamego, meu nêgo”

 enfim.

isso inclui passar pela tpm. e para meus leitores ávidos por informações confiáveis de uma pessoa regulada como eu, aqui vai uma breve descrição do que é a tpm e um pedido humilde: sejam pacientes com suas irmãs, namoradas, esposas e mães. mas peçam para que elas avisem quando madame katrina ‘tá chegando. eu aviso. só para depois dizer: “eu avisei, porra!”.

TRISTEZA 
não qualquer tipo de tristeza, tipo “ai meu time perdeu, lasquei o esmalte, engordei 1kg”. é tristeza abrangente e existencial. é pessimismo, desânimo, medo, esgotamento físico e emocional. eu suspiro a cada 15 minutos. acabei de suspirar escrevendo isso.

PESSIMISMO
– com o futuro próximo
acordei, olhei no espelho: “será que vai dar merda hoje? vai, porque ontem não deu, não é possível dois dias seguidos sem desgraça, até o fim do dia alguma coisa vai me acontecer, tipo atropelamento. ou alguém vai abrir a porta do carro estacionado e bater na minha perna e eu não ‘tou podendo com isso. ou vou encontrar desafeto na rua e ter (ou não ter) que cumprimentar – ai aquela vagabunda flácida mal comida! até a hora do almoço alguma coisa vai me fazer chorar, tenho certeza”

– futuro distante
acordei olhei no espelho: “que olheira escura. essa olheira não vai melhorar, ela vai piorar porque eu ‘tou ficando velha, não nova. estou descendo a ribanceira e vai ficar cada vez pior. e minha bunda? cheia de celulite, não vai melhorar, vai ficar cada vez mais visível. será que eu vou parar de usar maiô ou bíquini um dia para não ofender os olhos alheios? e usar onde, né? não tenho casa com piscina. moro num quarto-e-sala. ai, como eu posso reclamar? meus pais me deram esse apartamento. porque eu sou inútil. com esse salário sempre serei dependente e eles vão morrer daí eu vou ficar pobre de vez.  eu vou morrer também. sem deixar nada de interessante para ninguém. e meu namorado vai me largar. vai me largar antes d’eu morrer. vai me largar porque eu ‘tou velha e flácida e tem muita menina de 18 anos por aí que é jovem e sarada e não reclama”

“levantando peso de tamanco, vadia? tamanco de plástico é?”

DESÂNIMO
não tirei o lixo hoje, nem coloquei água na planta.

MEDO
medo da bunda cair antes dos 30. vide pessimismo.

ESGOTAMENTO FÍSICO E EMOCIONAL

ia estudar, mas não queria ficar sentada por muito tempo. decidi ler deitada. dormi.

é isso aí. as amigas vão se identificar com algumas coisas.  os amigos vão rir da tonta caída na calçada aqui e sair de fininho. odeio vocês.